#25: Todos os homens do Presidente

October 10, 2009

Todos os homens do presidente (All the president’s men)

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1976
Direção: Alan J. Pakula
138 minutos
Com Dustin Hoffman, Martin Balsam, Jason Robards, Robert Redford

Todos dos homens do presidente é um banquete para quem gosta de jornalismo político. O filme, baseado no escândalo de Watergate que desmoronou o mandato do presidente Richard Nixon, e conta a minusciosa investigação dos dois jornalistas Bob Woodward (Robert Redford) e Carl Bernstein (Dustin Hoffman). O caso, que teve seu início com a prisão de cinco homens do Partido Democrata enquanto tentavam instalar escutas ilegais no edifício de Watergate. O caso desvendado por pura insistência dos dois réporteres, envolveram inúmeros escândalos políticos e corrupção nos personagens do mais alto calão da trama. Deixando de lado a competitividade pessoal e usando métodos de espionagem e persuassão para obter informações, ao longo do filme, a dupla desvenda a complexa rede corrupta do governo. Jason Robards levou um Oscar de melhor ator coadjuvante por Todos os Homens do Presidente, mas todos os homens do filme também mereciam.

Trailer (em inglês)

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#24: As Invasões Bárbaras

October 9, 2009

As invasões bárbaras (Les Invasions Barbares)

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2003
Direção: Denys Arcand
99 minutos
Com Rémy Girard, Stéphane Rousseau, Dorthée Berryman, Louis Portal, Dominique Michel, Izabelle Blais

As invasões bárbaras provam que filmes simples podem ser incríveis. Rémy (Remy Girard) é um professor universitário que tem uma doença terminal, e está praticamente morrendo aos poucos. Tem um mal relacionamento com o seu filho Sébastien (Stéphane Rosseau), que é um profissional bem sucedido e trabalha em Londres. O conflito ideológico entre os dois é evidente e forte, o que causa inúmeros desentendimentos ao longo da trama. Sebastien, no entanto, quer proporcionar ao pai uma morte pacata e tranquila, com todos os beneficios que a medicina moderna tem a oferecer. Para isso, suborna o hospital, a polícia, reune um grupo de amigos para passar os últimos dias com Remy, torna possível a comunicação com a irmã que resolveu levar a vida velejando no mar, e ainda compra drogas para aliviar a dor do pai. Ao contrário do que parece, não é um filme sobre a morte, e sim sobre a vida. Sobre como ela é aproveitada, os prazeres e as dores do intelectual moribundo, socialmente engajado a política esquerdista, e ‘lava a roupa suja’ da família, incluindo a ex-esposa, e as amantes. A banalidade aparente é que torna o filme uma verdadeira obra-prima de Denys Arcand, e crítica a própria geração, as drogas, o anti-imperialismo norte-americano, a eutanásia, o amor, a fidelidade  e os valores mantidos a cima de qualquer situação. A sutilidade e sensibilidade tira Invasões Barbáras da possibilidade de cair no mar dos clichês, o que o faz um filme extraordinário.

Trailer (em inglês)

#23: Minha Amada Imortal

October 9, 2009

Minha Amada Imortal (Beloved Immortal)
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1994
Direção: Bernard Rose
118 minutos
Com Gary Oldman, Isabella Rossellini, Jeroen Krabbé, Johanna ter Steege

Minha Amada Imortal é tão intenso como a música clássica do seu personagem principal, Ludwig Von Beethoven (Gary Oldman). Após a sua morte em 1827 em Viena, o seu último desejo é que todos os seus bens, incluse sua música, seja herdada por uma misteriosa mulher, o amor que teve em vida, denominada de ‘Minha Amada Imortal’. Anton Felix Schindler (Jeroen Krabbé), fica encarregado de atender o último desejo do amigo, e parte em uma jornada a um pedaço da história de Beethoven desconhecido por todos, que viam o músico como arrogante, lunático. Anton passa então por todas as mulheres que Beethoven teve em vida, resgatando sempre uma memória perdida, um lado oculto que ninguém imaginava, o que só torna sua existência cada vez mais extraordinária. Há cenas inesqueciveis no filme, como quando Gary Oldman, em uma das melhores atuações de sua carreira, toca a Sonata ao Luar no piano, e por não conseguir escutar por causa de sua deficiência auditiva, encosta seu ouvido no instrumento e tenta sentir a própria canção. É um filme maravilhoso e com uma fotografia única, um clássico erudito acompanhado de uma trilha sonora ainda mais incrível se não for somente escutada, e sim, assistida.

Trailer (em inglês)

#22: Magnólia

October 3, 2009

Magnólia (Magnolia)

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1999
Direção: Paul Thomas Anderson
188 minutos
Com Julianne Moore, William H. Macy, John C. Reilly, Tom Cruise, Jason Robards, Phillip Seymour Hoffman, Melora Walters

Magnólia é uma trama complexa e subjetiva. Nada no filme é totalmente direto, e talvez a magia dele esteja na interpretação de cada espectador sobre o desenrolar das distintas histórias que sucedem ao decorrer do filme. Apesar de longo, Magnólia consegue não ser cansativo e manter um ritmo agradável enquanto os nove personagens cruzam suas histórias. O filme começa e termina com um monólogo de um narrador desconhecido que diz não acreditar no acaso ou em coincidências do destino. Cada relance da vida de um dos personagens coloca uma questão em xeque, e é quase impossível não se identificar com pelo menos um deles. Enquanto o filatropo moribundo (Jason Robards) está a beira da morte, o seu enfermeiro Phil Pharma (Phillip Seymour Hoffman) passa os seus últimos momentos em diálogos profundos e a esposa neurótica e pertubada (Juliane Moore) só descobre o verdadeiro amor pelo marido quando o vê no leito da morte. As complicações não param por ai. Earl quer reecontrar com o filho Frank T. J. Mackey (Tom Cruise), que é um seminarista orgulho e machista, e usa as suas palestras para se camuflar  do passado, no abandono do pai e na fragilidade da mãe. Frank parece ter raiva de todas as mulheres, e por isso, ensina os homens que as tratem como objetos, lixo. No meio da trama, ainda temos a criança prodigío Stanley (Jeremy Blackman) que concorre a um prêmio por pura cobrança, pressão e ganância do pai. O apresentador do programa, Jimmy Gator (Phillip Baker Hall) também tem câncer e tem um relacionamento conturbado com a sua filha viciada em cocaída (Melora Walters). Há ainda o fracassado  Donnie Smith (William H. Macy), que foi um menino prodígio assim como o Stanley, e acha que sua vida pode ssr resolvida ao colocar um aparelho ortodonlógico. A esperança do filme está vestida do policial Jim Kurring (John C. Reilly), que é alguém inocente, puro, e acredita em soluções no meio de tantas complicações. A trama pode parecer fragmentada, mas é tão profunda como se tivesse sido elaborado um filme para cada personagem. Abordando assuntos polêmicos como homossexualidade, incesto, e o encarar da morte, Magnólia é esplêndido em todos os sentidos. A trilha sonora que inspirou Paul Thomas Anderson é linda, e cenas memoráveis como a chuva de sapos fazem de Magnólia um filme único e inesquecível.

Trailer (em inglês)

#21: Quase Famosos

October 3, 2009

Quase Famosos (Almost Famous)

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2000
Direção: Cameron Crowe
122 minutos
Com Billy Crudup, Frances McDormand, Kate Hudson, Patrick Fugit, Jason Lee, Phillip Seymour Hoffman

Quase Famosos é uma verdadeira escola de rock. William Miller (Patrick Fugit) é um adolescente precoce que descobre a música e consegue uma entrevista para a Rolling Stone com a fictícia banda Stillwater, que é na verdade uma mistura de bandas como o Led Zepelin e o Lynyrd Skynyrd, que aparecem a todo momento na excelente trilha sonora do filme. O cenário musical dos anos 70 é propício a histórias incrivéis do rock’n’roll como essa. Com a nítida influência autobiográfica de Cameron Crowe, que saiu em 73 como integrante da equipe da lendária revista, e escreveu diversos artigos sobre uma das épocas mais facinantes da música com apenas 16 anos. Apesar de William ser super protegido pela mãe, consegue sair em turnê com o Stillwater, mas se vê divido pela amizade e admiração que nutre pelos membros da banda, as ‘verdades’ por trás dos palcos que presencia e também pelo amor platônico pela groupie Penny Lane (Kate Hudson). Os personagens são cativantes e o filme é um relato sincero e honesto sobre o verdadeiro significado da música para seus respectivos amantes. Com cenas memoráveis como quando toda a banda, acompanhado das groupies e do jornalista mirim cantam Tiny Dancer do Elton John em seu ônibus ou quando Russell Hammond (Billy Crudup) grita de cima de um telhado chapado de ácido que é um deus de ouro, é um filme praticamente obrigatório para quem um dia já sonhou estar nos palcos com todo o fervor dos velhos clichês que acompanharam o rock desde sua origem.

Trailer (em inglês)

#20: Último Tango em Paris

September 19, 2009

Último tango em Paris (Ultimo Tango a Parigi)

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1972
Direção: Bernardo Bertolucci
136 minutos
Com Marlon Brando, Maria Schneider, Jean-Pierre Léaud

Não existe filme do Bertolucci que não seja polêmico, mas o Último Tango em Paris supera todas as controvessas, até mesmo por ter sido proibido durante quase uma década pela ditadura militar no Brasil por ser tachado como pornográfico. Apesar do alto teor de cenas sexuais (e porque não sensuais?), tudo é feito de uma maneira delicada e minuciosa, não chega a ser em nenhum momento vulgar, e sim poética. É inquieto e pertubador, mas poético. A proposta do filme é simples: remete simplesmente a sexo, sem compromissos, sem nomes, sem a correria e o apego excessivo dos relacionamentos, entre Paul (Marlon Brando) e Jeanne (Maria Scheneider). Isso já torna o filme extremamente interessante, porque, com o passar dos encontros e dos envolvimentos, o casal acaba incitando sentimentos um no outro, de uma forma extremamente reflexiva. O charme do desconhecido acaba seduzindo durante todo o filme, e os diálogos memoráveis, improvisados por Marlon Brando. A personalidade pertubada de Paul, e a fragilidade de Jeanne se encaixam perfeitamente como almas atormentadas, uma pelo suícidio da esposa, e a outra pelo medo de arriscar. O enquadramento de imagens, focando a banalidades e utilizando incrivelmente o cénario, dá um toque especial e de charme ao filme, típico do cinema europeu, mas sem perder a própria autonomia e personalidade. É intenso e charmoso como todos os filmes de Bertolucci, e o talento de Brando é, sem dúvidas, incontestável em todos os sentidos.

Trailer (em inglês)

#19: UP – Altas Aventuras

September 19, 2009

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2009

Direção: Peter Docter
96 minutos
Animação

Depois que a Disney comprou a Pixar, eu esperava uma infantilização das animações, mas UP mostra exatamente o contrário, as animações não são mais feitas pra as crianças, e sim para todo amante de um bom filme. A  verocidade e a fotografia são incrivéis e bonitas: colorido e realista, se opõe a vida artificial e cinzenta dos grandes centros urbanos. O idoso armargurado e solitário que perde a esposa e não tem ninguém, pode soar uma fórmula batida (vide últimos filmes em que Clint Eastwood atua), mas UP é lindo e agrada a todas as idades. Quem não conhece um velhinho rabugento mas que tem tanto a nos ensinar que acabamos vencendo o seu mal humor? Uma aventura de descobertas e devoção, sobre os relacionamentos e artificialidade da vida moderna. A imagem paterna e a criança inocente perdida na imensidao de inutilidades tecnológias resalta na ausência de apego e carinho, a necessidade de relacionamentos verdadeiros. UP mostra o signficado do que realmente importa, é uma animação pura, e emocionante de se assistir. Mas ao contrário dos clichês em que esse tipo de filme sempre acaba caindo, não é o aventureiro mirim que aprende com o mais velhinho dublado por Chico Anysio desta vez, e sim, um resgate mutúo da superficialidade em que todos podemos cair.

Trailer (legendado)

#18: Os Bons Companheiros

September 14, 2009

Os Bons Companheiros (The Goodfellas)

4

1990
Direção: Martin Scorsese
145 minutos
Com Robert De Niro, Ray Liotta, Joe Pesci, Lorraine Bracco, Paul Sorvino, Samuel L. Jackson

Tudo que possa ser dito sobre os Bons Companheiros pode soar exagerado, mas não é. Scorsese sempre acerta na parceria com Robert De Niro, e neste filme, não é diferente. De Niro na pele de um mafioso pode soar batido, mas se ele não fosse um ator, provavelmente seria um ótimo gângster. Henry Hill (Ray Liotta) cresceu sempre querendo ser um gângster em um bairro itálo-irlandês em Nova York. Devido a sua origem irlandesa, não podia ingressar ao Cosa Nostra, e desde jovem se envolve com Jimmy (De Niro) e Tommy (Joe Pesci), sendo uma peça importante em uma complexa rede de jogos, sexo e drogas que engloba a máfia nova-iorquina. Joe Pesci é o único decendente de italiano, e parece fazer exatamente o mesmo papel que faz em Cassino (1995), sempre esquentado e agindo sem pensar. A obsessão por dinheiro e sexo, principalmente, leva Ellie e seus parceiros a uma decadência sangrenta, envolvendo muitas mortes, drogas, e a polícia. A história verídica, também trata da devoção e lealdade, e os Bons Companheiros é sem dúvida, um dos melhores filmes do Scorsese – e porque não também sobre a máfia. A fotografia intimidante acompanhada de trilha sonora incrível: nunca é demais Rolling Stones, terminando um filme com a excentrica versão de My Way (Frank Sinatra) feita por Sid Vicious.

Trailer (em inglês)

#17: Cada um vive como quer

September 10, 2009


Cada um vive como quer (Five Easy Pieces)

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Direção: Bob Rafelson
96 minutos
Com Jack Nicholson, Karen Black, Lois Smith, Billy Green Bush

Falar dos filmes de Jack Nicholson sem apelar para frases prontas é uma tarefa díficil, principalmente quando se trata de Cada um vive como quer. A princípio, a temática do filme pode soar superficial, mas o longa de uma hora e meia é tão denso quanto seus personagens. A história gira em torno de Bob (Jack Nicholson), que trabalha em uma reserva petrolífica apesar de sua formação intelectual e as habilidades musicais e mora com a não tão inteligente namorada Rayette (Karen Black). Passando a maior parte de seu tempo traindo Raynette, jogando poquer ou em atividades futéis, Bob retoma a casa de sua família ao descobrir que o pai, com quem não teve bom relacionamento, está muito doente. Na visita a família, conhece a noiva de seu irmão, que o incentiva a voltar a tocar piano e por quem acaba se  apaixonando. Uma narrativa um tanto quanto banal, porém, se destaca pela atuação de Nicholson que sempre foi excêntrico ao escolher seus papéis, e em como filmes as vezes não tão polêmicos, desperta inúmeras reflexões.


Trailer (em inglês)

#16: Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo

September 10, 2009

Tudo que você sempre quis saber sobre sexo *mas tinha medo de perguntar (Everything You Always Wanted To Know About Sex – But Were Afraid To Ask)

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1972
Direção: Woody Allen
87 minutos
Com Woody Allen, Louise Lasser, Regis Philbin, Burt Reynolds, John Carradine, Lynn Redgrave

É díficil descrever qualquer filme do Woody Allen, e isto se complica neste. Talvez esta tenha sido a melhor época de Woody Allen como diretor e roterista. No ápice de sua criatividade, Tudo que você sempre quis saber sobre sexo, é provavelmente o seu filme mais divertido e irreverente. Um filme que tende a cair em clichês não peca em nenhuma questão. Se a comédia fosse um livro, seria daqueles que pegamos em uma tarde e só largamos quando chegamos ao fim. Dividido em cinco partes, cada uma levantando uma questão divertida e peculiar a respeito de sexo, traição, travestis e orgasmos, Allen abre mão de seu típico humor neurótico característicos sem apelar para o pastelão. Tetas gigantes assasinas, espermatozoídes em pânico em frente a uma ejaculação e bobos da corte usando afrodisíacos para conquistar a rainha. Perpleto de cenas criativas e memoráveis,  se esse filme não fosse do Allen, certamente não seria de mais ninguém.

Trailer (em inglês)